OBESIDADE E EXERCÍCIO
A obesidade pode ser visualizada como um dos maiores problemas de saúde pública nos países industrializados. No Brasil, lamentavelmente, o número de pessoas com sobrepeso ou obesas tem crescido consideravelmente nos últimos anos, estima-se que 24% da população sofra desta enfermidade.
Conhecimentos atuais explicam a prevalência da obesidade como o resultado da interação de fatores genéticos com fatores ambientais (KOPELMAN, 2008). Na tentativa de contribuir para o conhecimento da obesidade e para o tratamento de pessoas obesas, nosso grupo tem estudado as alterações cardiovasculares e seus mecanismos na obesidade humana, bem como, os efeitos do exercício físico regular.
Contudo, estudos recentes têm mostrado que a obesidade aumenta os níveis de leptina plasmática e provoca resistência à insulina (KUNIYOSHI, 2003). Além disso, indivíduos obesos têm atividade nervosa simpática muscular aumentada, fluxo sangüíneo muscular diminuído e conseqüentemente pressão arterial aumenta. (VILLARES, 2004). Entretanto, Apesar de a dieta isoladamente provocar a mesma perda de peso corporal que a dieta associada ao treinamento físico num período de quatro meses, esta perda ocorria em função de massa gorda e massa magra. No entanto, verificou-se que apenas a dieta associada ao treinamento físico levava à melhora no fluxo sangüíneo muscular e na resposta vasodilatadora muscular. Ao contrário, com o treinamento físico associado à dieta a perda do peso se devia somente à perda de massa gorda. Outro resultado de destaque foi o fato da dieta associada ao exercício físico levar a uma melhora muito mais expressiva na sensibilidade à insulina do que a dieta isolada. Estes resultados sugerem que a melhora no fluxo sangüíneo periférico não é explicada somente pela diminuição da atividade nervosa simpática, já que dieta isolada e dieta associada ao treinamento provocaram diminuição semelhante na atividade nervosa simpática (TROMBETTA et al., 2003).
Como explicar este aumento no fluxo sangüíneo muscular, então? A resposta m
ais atualizada para esta indagação é que o exercício físico aumenta a biodisponibilidade de óxido nítrico e, com isto, o fluxo sangüíneo muscular, em indivíduos obesos. A perda de peso corporal leva à diminuição
dos níveis plasmáticos de leptina e insulina, diminuição da atividade nervosa simpática e queda na pressão arterial. Além disso, eles sugerem que a dieta hipocalórica associada ao treinamento físico deve ser a estratégia de escolha para o tratamento não-farmacológico de indivíduos obesos.
Grato
Pedro Menezes.
TREINAMENTO AERÓBIO X FORÇA
Os benefícios à saúde decorrentes dos treinamentos aeróbico (TA) e de força (TF) têm sido bem documentados na literatura (1-6), demonstrando que o treinamento destas valências contribui para a redução da incidência de uma série de doenças, tais como as cardiovasculares, o diabetes, a obesidade, a osteoporose, entre outras (7-9). Contudo, as adaptações/alterações fisiológicas, como o aumento da força muscular e da resistência aeróbica (10-12), quando ambas as formas de treinamento são realizadas em uma mesma sessão de exercício - treinamento concorrente (TC) -, ainda são divergentes (13, 14). Diversos pesquisadores apontam uma redução na capacidade de desenvolver a força muscular quando o TA é realizado antes do TF, fatores estes provavelmente ocasionados pela fadiga muscular induzida pelo TC, como também, por divergentes estímulos de treinamento realizados ao longo da sessão de treinamento aeróbio e de força, alem de fatores como a sobreposição de cargas (i.e. overtraining ou overreaching), tanto quando investigados de forma crônica (14-16) como de forma aguda (17-22).
Leveritt et al.(23) ao investigarem o efeito agudo do TC não evidenciaram queda significativa na produção de força quando o TF foi realizado no período de 8 a 32 horas após a realização de 50 min de atividade aeróbia no cicloergômetro, com cargas variadas entre 70 e 110% da potência crítica previamente estabelecida. Desta forma, acredita-se que o tempo demasiado de recuperação entre os treinamentos possa exercer alguma interferência direta nos resultados obtidos e, ainda segundo o mesmo autor, a realização do TC pode trazer benefícios tanto para o TF como para o TA em indivíduos com menores níveis de treinamento (24). Na ordem TF x TA, o corpo de conhecimento atual evidencia os efeitos positivos como ganhos de força e de desempenho aeróbio decorrentes do TC, quando comparados ao TA realizado isoladamente. Estudos transversais apontam para os benefícios na economia de corrida em corredores de 5 km após nove semanas de treino concorrente (25) e, uma melhora na potência e no tempo de corrida necessário para percorrer 3 km quando o TC foi realizado ao longo de 14 semanas de treinamento (26). Corroborando com esses achados, um estudo realizado em jogadores de basquete com duração total de 7 semanas, evidenciou uma melhora significativa na força e na performance do salto vertical no grupo que realizou o TC na mesma sessão de treinamento quando comparado ao grupo controle e aos indivíduos que executaram o TF e o TA isoladamente, sem concorrência (27). Ademais, após a realização de 4 semanas de treinamento, duas investigações de TC, encontraram achados positivos tanto para a economia de corrida (28) como para ganhos no sprint de 10 e 30 metros em esportistas amadores após a realização do treinamento de força executado a 90% de 1RM, 5 minutos antecedentes ao TA (29). Resultados positivos e similares foram encontrados em estudos transversais que investigaram a velocidade de corrida (30) e o sprint de ciclistas que apresentaram uma elevada força muscular e, conseqüentemente, uma maior potência e resistência aeróbia ao realizar o TC (31). Acredita-se que cronicamente a ordem de realização de estímulos de força e aeróbio em uma mesma sessão - treinamento concorrente - possa influenciar negativamente nos resultados sobre o desempenho aeróbio. Baseado no princípio da especificidade, o TF provoca adaptações morfofuncionais específicas e diferenciadas quando comparada àquelas provenientes do TA. Em geral, as adaptações resultantes após a realização do TF incluem o aumento na massa muscular e na capacidade de produção de força. Por outro lado, o TA parece diminuir o conteúdo miofibrilar para otimizar a cinética do consumo máximo de oxigeno. 
Dessa maneira, devido a incongruência entre as adaptações produzidas pelos dois modelos de treinamento isoladamente, o desenvolvimento máximo dessas duas valências nem sempre é possível quando ambas são treinadas simultaneamente. Sugerindo assim que ambas possam ser afetadas após a realização do treinamento concorrente. Todavia, deve-se sempre observar o “nível” de condicionamento físico dos indivíduos empregados no modelo de treinamento e o prazo de duração do treinamento, visto que ambos interferem diretamente nos resultados encontrados na literatura vigente. Em pesquisa realizada ao longo de 12 semanas de treinamento (31), foi analisado o efeito da estratégia do TF e do TA isoladamente, além de sua ordem variada de execução e combinação (TA x TF; TF x TA ). O grupo TA x TF em comparação à condição inversa apresentou melhoras significativas para o consumo máximo de oxigênio (VO2Máx) (27,5%), limiar de compensação ventilatória (34,9%), velocidade máxima atingida (VVO2máx) (27,1%) e tempo limite (TLim) (29,0%) (32). Entretanto, o grupo submetido isoladamente ao treinamento de força apresentou melhoras no TLim (16,3%), independente da realização de treinamento aeróbio. Estes achados foram observados também por Marcinik et al. (33) o qual evidenciou um aumento de 33,5% no TLim em cicloergômetro a 75% do VO2 de pico medido antes e após 12 semanas de treinamento de força em indivíduos não treinados. Em conjunto, estes resultados indicam benefícios isolados da força para o desempenho aeróbio. Em contrapartida, estudos apontam uma redução do rendimento aeróbio quando o mesmo é precedido de um estímulo de força (TF x TA) em uma mesma sessão de treino (34, 35). Bailey et al.(34) verificaram o efeito de nove exercícios de TF (3 sets de 8-12 RM) sobre o TA realizado subseqüentemente a 60 % do VO2Máx durante 20 min. Resultados similares foram relatados por Crawford et al.(35) que analisaram o efeito de 3 séries de 10 RM sobre uma sessão de TA no cicloergômetro entre 65% e 75% do VO2máx numa cadência de 75-100 rpm durante 20 min. Os dados dos estudos de Bailey et al.(34) e Crawford et al. (35) demonstram os prejuízos ao rendimento aeróbio, quando é precedido de um TF, em condições submáximas.
Diante de todo o exposto, nota-se que é de suma importância o desenvolvimento de novas pesquisas no sentido de se tentar melhor compreender a interferência do TC quando comparado aos demais treinamentos isoladamente, como também o período de recuperação necessário para uma menor atenuação do desempenho de força após a realização de uma sessão aguda de TA, assim visando-se à otimização do modelo de treinamento “Ideal” para o desenvolvimento de ambas as valências. Ademais, faz-se necessário a elucidação no que tange à interferência do TC sobre o desenvolvimento do Vo2max, da força máxima, do aumento da área de sessão transversa muscular e da expressão gênica e protéica.
POTENCIALIZE SUA CORRIDA
Atualmente, a demarcação da potência crítica ou “velocidade de manutenção de corrida ou caminhada” com a qual seu organismo consegue suprir a demanda metabólica exigida pela musculatura exercitada sem que a produção de lactato - “principal” limitante fisiológico do exercício - ultrapasse a sua remoção, e, conseqüentemente, interfira na sua performance, vem sendo o principal modelo de avaliação no cenário esportivo mundial.
Baseado neste conceito, elaboramos e validamos um teste específico onde demarcarmos a velocidade com a qual você é capaz de suportar uma corrida ou caminhada contínua sem atingir o ponto de produção “acelerada” do lactato (limiar), onde, normalmente, também ocorre o “forte” incremento da ventilação – respiração -. Atravez desta metodologia exclusiva, aferimos com uma grande margem de precisão a potência e a sua velocidade “crítica” de corrida ou caminhada. Ressalta-se, que essa velocidade demarcada não é a sua máxima, fator este, que permite que sejam prescritos treinamentos acima e abaixo da mesma, objetivando uma maior permanência em sua real “zona” de resistência aeróbia, aprimorando ainda mais a sua tolerância ao exercício que lhe é imposto em provas ou em nossas sessões de treinamento, uma vez que, com base em sua potência crítica demarcada todo o nosso sistema de treinamento é elaborado.
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Equipe Labofit
Pedro Menezes
TREINAMENTO FUNCIONAL
O treinamento funcional – Core - tem como principal objetivo o aprimoramento da estabilização articular e da capacidade de gerar força em toda amplitude de movimento articular. A região lombo-pélvica, componente central do corpo, composta pela união de diferentes articulações, ligamentos e grupamentos musculares, como por exemplo: abdômen, transversos, glúteos, musculatura paravertebral, oblíquos, psoas e o retofemoral, dentre outros, é a mais beneficiada com essa metodologia de treinamento. Mc Gill et. al. (2001) demonstraram que uma suficiente estabilidade da coluna lombar é atingida na maioria das pessoas com níveis muito modestos de “coativação/força” dos músculos paravertebrais e da parede abdominal. Assim, a manutenção de uma estabilidade não é comprometida pela força muscular insuficiente, mas sim pela falta resistência (Ex: fadiga ao realizar as atividades cotidianas, fadiga na musculatura de estabilização ao realizar o exercício).
Destaca-se que, em indivíduos saudáveis, o Core demonstra ser uma excelente estratégia para a “manutenção da boa saúde da coluna lombar”, aprimorando a capacidade de estabilização do tronco, fator este determinante para que os membros superiores e inferiores possam aumentar a sua capacidade de gerar força, tanto no dia a dia, quanto em atividades esportivas, sejam elas competitivas ou não. Contudo, em atletas, constantes evidências constatam o aprimoramento de 15 a 20% do aprimoramento da capacidade esportiva especificamente no tocante a modalidades que exigem habilidades como coordenação, força, equilíbrio e, principalmente, sustentação do peso corporal em posições específicas como, por exemplo, o ski e o tennis, que envolvem um relevante deslocamento lateral realizado, ainda, com velocidade.
Todavia, em indivíduos que apresentam histórico de dores lombares e/ou lesões osteo-mioarticulares, principalmente da região central – lombo-pélvica - o treinamento funcional deve ser empregado visando não só à reabilitação ou à melhora da lesão, como também à contribuição para as necessidades especificas de movimento exigida por cada indivíduo, como girar, abaixar, levantar, arrumar-se para o trabalho, realizar suas atividade domésticas etc..
Apresentação de Trabalho TREINAMENTO EM SUSPENSÂO
Prof. Msd. Pedro Menezes -UFRJ-
Destaque, possuímos esse treinamento em nossa Tenda de Assessoria Esportiva
Grato
Pedro Menezes (ufrj)
MULHERES E TREINAMENTO FÍSICO
O ciclo menstrual (CM) consiste de muitas alterações ocorrentes no útero, ovários, vagina, mamas e na secreção de hormônios gonadotrópicos pela adeno-hipófise. A duração de um ciclo regular é em média de 28 dias. Ele pode ser mais curto, de apenas 20 dias, ou, mais longo, de até 45 dias. A duração do ciclo varia entre mulheres ou numa mesma mulher. O CM é dividido em 3 fases distintas: fase menstrual, fase proliferativa ou folicular e fase lútea ou secretória. Outros autores, Vander et al. , consideram apenas a fase folicular e lútea, inserindo a fase ovulatória como uma etapa tardia dentro da fase proliferativa. Não há um consenso entre os autores estudados acerca do início de cada fase.
A fase menstrual inicia-se no 1º dia da menstruação até o 5º dia. Caracteriza-se por uma redução súbita nos níveis de progesterona e estrógeno. A fase proliferativa dura do 6º até o 13º dia após a menstruação. Nesta fase au
menta a secreção de estrógeno até o seu nível mais elevado. Seguindo a fase proliferativa nas mulheres que apresentam um ciclo sexual normal de 28 dias; ocorre a ovulação no 14º dia9,19. Segundo Guyton et al., aproximadamente dois dias antes da ovulação, por motivos ainda não inteiramente esclarecidos, a secreção de LH pela hipófise anterior aumenta acentuadamente elevando-se entre seis e 10 vezes, atingindo seu nível máximo cerca de 16 horas antes da ovulação. Em seguida, vem a fase lútea ou secretória que vai do 15º ao 28º dia após a menstruação. É quando são secretadas grandes quantidades de progesterona e estrógeno, mas principalmente progesterona. Nos últimos dias do CM, o corpo lúteo degenera- se e os níveis progesterona e estrógeno caem, provocando o início do fluxo menstrual e um novo ciclo se repete. Em um estudo de revisão, Janse de Jonge demonstrou não haver diferenças significativas no consumo de oxigênio, limiar de lactato, volume plasmático, concentração de hemoglobina e ventilação, nas três fases do CM. Embora tenha sido reportado, um aumento do estresse cardiovascular durante o exercício moderado na fase lútea. Enquanto o impacto das diferentes fases do CM nas respostas ventilatórias, metabólicas e cardiovasculares durante o exercício estejam sendo foco de discussão na literatura, os efeitos sobre a força muscular parecem estar recebendo pouca atenção. Outros estudos abordam também a influência do CM na flexibilidade decorrentes das alterações hormonais, mas não demonstraram haver variação da flexibilidade ao longo do ciclo. Porém, os estudos relacionados às alterações na força muscular e CM ainda são escassos. Por exemplo, não foi possível identificar um estudo que analisasse o comportamento simultâneo da força de diferentes grupos musculares em relação às fases do CM.
Assim, o objetivo do presente estudo foi verificar o comportamento da força muscular em um teste de oito repetições máximas (8RM) no membro superior e no membro inferior nas diferentes fases do CM de mulheres eumenorréicas treinadas.
Os resultados apresentaram no exercício leg press 45º diferenças da 1ª fase para as demais fases do CM. Já a puxada no pulley não apresentou diferença em nenhuma das fases avaliadas. A amostra estudada sugere a influência do CM sobre a capacidade de produzir força em membros inferiores.
Link do trabalho publicado na: Revista Brasileira de Ciência e Movimento
http://www.labofit.com.br/publicacoes/ciclo%20menstrual.pdf
Origado
Pedro Menezes
Texto: Prof. Alex Souto Maior, PhD

